29 setembro 2014

Auditoria na Santa Casa de SP aponta dívida de mais de R$ 433 milhões

Patrimônio líquido da instituição caiu 98,5% em quatro anos.
Relatório foi motivado por crise após fechamento, por um dia, de PS.


Paula Paiva Paulo
Do G1 São Paulo

Relatório sobre a situação financeira da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo aponta que a instituição tem dívida de R$ 433,5 milhões. O resultado do documento, divulgado nesta segunda-feira (29), aponta ainda que seu patrimônio líquido - que não inclui os imóveis - caiu 98,5% em quatro anos, e passou de R$ 220,3 milhões em 2009 para R$ 323 mil em 2013.

A auditoria foi realizada após o fechamento do pronto-socorro da Santa Casa, em 22 de julho, por dívida com os fornecedores. Ela foi realizada por uma comissão técnica instituída pela Secretaria de Estado da Saúde, com representantes do Ministério da Saúde, da Secretaria Municipal de Saúde e do Conselho Estadual de saúde.

Em dezembro de 2009, a dívida da instituição era de R$ 146,1 milhões. Quatro anos depois, ela saltou para R$ 433,5 milhões. No mesmo período, o prejuízo da instituição saltou de R$ 12,8 milhões para R$ 167,9 milhões.

O secretário de estado da Saúde, David Uip, informou que duas medidas serão tomadas. A partir desta terça-feira, uma comissão formada por até quatro integrantes irá acompanhar a gestão da Santa Casa diariamente. O estado também assumirá os custos da instituição. "Estamos assumindo o repasse do que for necessário para custeio e RH, garantindo à população que nada faltará", disse. O secretário apontou que "custeio" se refere a insumos e medicamentos, não a equipamentos.

Ao ser questionado sobre os valores desses novos repasses, Uip afirmou que irá se reunir nesta terça com a Santa Casa, que irá apresentar uma proposta de gastos. Atualmente, o repasse mensal do Estado é de R$ 14 milhões, somados ao R$ 20 milhões do Ministério da Saúde.

Crise

A Santa Casa de Misericórdia de São Paulo deixou de atender casos de emergências e urgências em seu Hospital Central, na Santa Cecília, Centro de São Paulo, no dia 22 por falta de condições financeiras.

Após a crise que levou à suspensão no atendimento do Pronto-Socorro, o governo liberou R$ 3 milhões às pressas que, segundo cálculos do governo estadual, seriam suficientes para a aquisição de medicamentos e materiais necessários para a instituição se manter funcionando por um mês.

Em dia 15 de setembro, o superintendente e o tesoureiro solicitaram desligamento de suas funções após a divulgação, pelo jornal "Folha de S.Paulo", de que dirigentes da instituição receberam, a título de consultoria, ao menos R$ 100 mil do grupo empresarial que fornece suprimentos ao hospital.

Uma semana depois, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo divulgou os nomes dos novos diretores da instituição. O diretor médico do Hospital Central, Irineu Francisco Delfino Silva Massaia, é o novo superintendente. Ele foi indicado por Kalil Rocha Abdalla, provedor da Santa Casa. Antônio Augusto Brant de Carvalho assume como tesoureiro da instituição.

28 setembro 2014

O ‘Efeito Papuda’ veio para ficar

Elio Gaspari | O Globo

Em 1500, quando Pedro Álvares Cabral chegou à Bahia, deixou dois degredados na praia. Um deles chamava-se Afonso Ribeiro. Tinha dezoito anos, trabalhara com um grão-senhor e metera-se num assassinato. Ele viveu anos no meio dos índios e, não se sabe como, acabou resgatado por outra expedição, regressando à Europa. Contou sua história a um tabelião, mas até hoje o papel não foi achado. Por suas artes e pela sorte, a pena de degredo deu em nada e Afonso Ribeiro pode ser considerado o patrono das pessoas que se safam da lei. Passaram-se 514 anos e a bancada de maganos que está presa na Papuda mostra que essa escrita começa a ser quebrada.

A ideia segundo a qual “isso não vai dar em nada“ perdeu eficácia. Pode ser que não dê, mas se der, a cana está lá. Foi essa percepção que levou Paulo Roberto Costa, um poderoso ex-diretor da Petrobras, a colaborar com o Ministério Público. Seguiram-no o operador de câmbio da rede financeira de Alberto Yousseff e, na semana passada, o próprio. Em todos os casos, preferiram trocar de lado, contando o que sabem, a arriscar décadas de cadeia. (Pelo “efeito Papuda”, Marcos Valério, o mago do caixa dois do mensalão foi condenado a 40 anos de prisão e José Dirceu, chefe da Casa Civil e “técnico” do time de Lula, a dez, podendo passar ao regime aberto ainda este ano.)

Paulo Roberto Costa e Yousseff decidiram colaborar, contrariando a opinião de advogados. O que eles têm a contar ultrapassa de muito o acervo de informações que Marcos Valério detém. Em suas operações há as digitais de grandes bancos, empreiteiras e empresas internacionais de comércio exterior. Se o Ministério Público e juiz federal Sérgio Moro trabalharem direito e em paz, poderão expor a maior e mais antiga rede de maracutaias nacionais. Coisa tentada sem sucesso em dezenas de processos e diversas CPIs.

Foi com a colaboração de delinquentes que a Justiça americana quebrou a espinha dorsal de camarilhas de Wall Street e da Máfia. Um de seus chefões, Tommaso Buscetta (Don Masino) operava no Brasil e foi preso em 1972. Sua captura foi apresentada pela ditadura como uma demonstração da eficiência da polícia. Afinal, ele fora interrogado pelo delegado Sérgio Fleury, o vice-rei da repressão política. Palhaçada. Extraditado para a Itália, acabou levado para os Estados Unidos. Lá, ninguém lhe encostou a mão e ele passou a colaborar com a Justiça, tornando-se o primeiro “capo” a revelar a rede de operações e influências da Máfia. Ganhou nova identidade, fez uma plástica e morreu em 2000.

A colaboração de Paulo Roberto e Yousseff demanda paciência e tempo, com o prosseguimento de interrogatórios e acareações. Não haveria Paulo Roberto sem conluio com grandes empresas nacionais e estrangeiras. Da mesma forma, não haveria Yousseff sem bancos que operassem suas traficâncias. Em todos os casos, o melhor que essas empresas têm a fazer é seguir o exemplo da Siemens, que ajudou a desvendar a rede de propinas na venda de equipamentos para governos tucanos de São Paulo.

A ideia segundo a qual só há corrupção na política contém um vício. Se a corrupção fosse só dos políticos, no caso do parlamentares, os doutores iriam a Brasília na segunda-feira e ficariam até quinta trocando propinas. Se fosse assim, na sexta a conta ficaria zerada. Falta botar na roda as empresas que movem o circo, e essa é a trilha que Paulo Roberto Costa e Yousseff podem mostrar à Viúva.

Campanha de Dilma em 2010 pediu dinheiro ao esquema do 'petrolão'

Paulo Roberto Costa, no processo de delação premiada, diz às autoridades que, no fim do governo Lula, o ex-ministro Antonio Palocci o procurou para pedir 2 milhões para a nova disputa à Presidência


Rodrigo Rangel | Veja

Há três semanas, VEJA revelou que o ex-diretor da Petrobras havia dado às autoridades o nome de mais de trinta políticos beneficiários do esquema de corrupção. A lista, àquela altura, já incluía algumas das mais altas autoridades do país e integrantes dos partidos da base de apoio do governo do PT. Ficou delineada a existência de um propinoduto cujo objetivo, ao fim e ao cabo, era manter firme a adesão dos partidos de sustentação ao governo. O esquema foi logo apelidado de “petrolão”, o irmão mais robusto mas menos conhecido do mensalão, dessa vez financiado por propinas cobradas de empresas com negócios com a Petrobras. À medida que avançava nos depoimentos, Paulo Roberto ia dando mais detalhes sobre o funcionamento do esquema e as utilidades diversas do dinheiro que dele jorrava. Era tudo tão bizarro, audacioso, inescrupuloso e surpreendente mesmo para os padrões da corrupção no mundo oficial brasileiro, que alguém comparou o esquema a um “elefante-voador” — algo pesadamente inacreditável, mas cuja silhueta estava lá bem visível nos céus de Brasília.

A reportagem de VEJA estampada na capa da edição de 10 de setembro passado revelou a mais nítida imagem do bicho. Ninguém contestou as informações. Agora, surge mais um “elefante-voador” originário do mesmo ninho do anterior. Paulo Roberto Costa contou às autoridades que, em 2010, foi procurado por Antonio Palocci, então coordenador da campanha da presidente Dilma Rousseff. O ex-diretor relatou ter recebido o pedido de pelo 2 milhões de reais para a campanha presidencial do PT. A conversa, segundo o ele, se deu antes do primeiro turno das eleições. Antonio Palocci conhecia bem os meandros da estatal. Como ministro da Fazenda, havia integrado seu conselho de administração. Era de casa, portanto, e como tal tinha acesso aos principais dirigentes da companhia. Aos investigadores, Paulo Roberto Costa contou que a contribuição que o ex-ministro pediu para a campanha de Dilma sairia da “cota do PP” na Petrobras.

Quando as autoridades quiseram saber se o dinheiro chegou ao caixa de campanha de Dilma em 2010, Paulo Roberto limitou-se a dizer que acionou o doleiro Youssef para providenciar a “ajuda”. Pelo trecho da delação a que VEJA teve acesso, Paulo Roberto Costa diz não poder ter certeza de que Youssef deu o dinheiro pedido pela campanha de Dilma, mas que “aparentemente” isso ocorreu, pois Antônio Palocci não voltou a procurá-lo.

O restante da reportagem está na Veja, nas bancas.


Teatro de campanha

Lauro Jardim | Veja

Mercadante: novo prota-voz
Mercadante: tentando acalmar o mercado financeiro e os empresários
Aloizio Mercadante tem conversado com gente do mercado financeiro para tentar tranquilizá-los. A mensagem que tem passado é: calma, agora é hora de bater, mas, depois de reeleita, Dilma Rousseff adotará postura diferente.



O poderoso arrecadador do PT

Salto Agulha | Veja

O Salto Agulha de hoje é endereçado ao homem que assinava o cheque e que foi o arrecadador de dinheiro para a campanha da então candidata Dilma Rousseff na eleição passada. Já foi cotado para sucessor de Lula, mas a fome de dinheiro o traiu.




Ex-senador Luiz Estevão é preso pela PF em Brasília e levado para SP

Prisão é decorrência da rejeição de recurso pelo ministro Toffoli, do STF.
Ex-senador deve ser transferido da PF para presídio na segunda-feira.


Vianey Bentes
Da TV Globo, em Brasília

O ex-senador Luiz Estevão foi preso pela Polícia Federal na manhã deste sábado (27) na casa dele, em Brasília, e levado para São Paulo, onde cumprirá pena de 3 anos e 6 meses de prisão, em regime semiaberto, por falsificação de documento público. Estevão foi para a Superintendência da PF em São Paulo, onde chegou no início da tarde, e poderá ser transferido para um presídio na segunda-feira.

A ordem de prisão é da Justiça Federal de São Paulo, em razão de decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que na quinta-feira (25) rejeitou recurso do ex-senador e determinou o cumprimento da pena.

Estevão é acusado de alterar livros contábeis para justificar dinheiro de obras superfaturadas para construir o prédio do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, da qual teria sido desviado R$ 1 bilhão. Em 2011, quando o ex-senador foi condenado no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a defesa alegou que apenas um documento tinha sofrido alterações, mas que não isso não provocou efeito prático nem poderia justificar a acusação.

A defesa do ex-parlamentar, condenado em outro processo a 36 anos de prisão, argumentava também que a pena de 3 anos e 6 meses estava prescrita – a prescrição se dá quando há demora no julgamento, e o Estado perde o direito de punir o réu.

O advogado Marcelo Bessa, que representa o ex-senador, também argumentava que a aplicação da pena deveria ser suspensa até que o Supremo julgasse ação que questiona a legalidade de investigações pelo Ministério Público Federal.

No entanto, Toffoli rejeitou o recurso e classificou o pedido de Luiz Estevão de “protelatório”. Para o ministro, o ex-parlamentar tentava reiteradamente atrasar o cumprimento da pena com o objetivo de evitar a punição.

“Nítida, portanto, a intenção do recorrente de procrastinar o trânsito em julgado da sua condenação e, assim, obstar a execução da pena que lhe foi imposta, conduta essa repelida pela jurisprudência deste Supremo ao definir que a utilização de sucessivos recursos manifestamente protelatórios autoriza o imediato cumprimento da decisão proferida por esta Suprema Corte”, afirmou Toffoli.

Cumprimento da pena

Como a pena é inferior a oito anos, Luiz Estevão pode cumprí-la em regime semiaberto, pelo qual o condenado dorme na prisão e pode sair durante o dia para trabalhar. Pelo Código de Processo Penal, pena inferior a quatro anos também possibilita o cumprimento em regime aberto ou a transformação da pena em prestação de serviços à comunidade.

No entanto, o Tribunal Regional Federal da 3º Região (TRF-3) já havia decidido que Luiz Estevão não deve ter direito a regime de punição mais brando, mas sim ao semiaberto, já que é réu reicidente e teria tentado enganar a Justiça falsificando documentos para evitar o bloqueio de recursos oriundos de crime.

A decisão do TRF-3 de determinar cumprimento no regime semiaberto foi mantida pelo STF ao analisar recurso do ex-parlamentar, em fevereiro deste ano.

O caso

O escândalo de superfaturamento na construção do TRT de São Paulo, no qual Luiz Estevão teria tido participação veio à tona em 1998. Naquela época, uma auditoria do Ministério Público apontou que somente 64% da obra da nova sede do TRT-SP estava concluída depois de seis anos da licitação. Nessa período, quase todo o recurso previsto para a construção já havia sido liberado.

A licitação foi vencida em 1992 pela empresa Incal, associada ao empresário Fábio Monteiro de Barros. A obra foi abandonada em 1998, após o juiz Nicolau dos Santos Neto deixar a comissão responsável pelo empreendimento.

Em 1999, foi criada uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara dos Deputados para investigar o caso. A apuração revelou um contrato em que 90% da Incal era transferida ao Grupo OK, do então senador Luiz Estevão.

Em 2012, após a condenação do ex-senador no STJ, a Advocacia-Geral da União anunciou ter feito acordo com o grupo OK, de Estevão, para que fossem devolvidos R$ 468 milhões pelas irregularidades na construção do TRT-SP. Segundo a AGU, R$ 80 milhões seriam pagos à vista.

Em 2006, o ex-senador foi condenado pela Justiça Federal a 31 anos de prisão, além de pagamento de multa estimada em R$ 3 milhões, mas ganhou o direito de recorrer em liberdade.

Desde então, ele vinha apresentando uma série de recursos à Justiça para tentar atrasar o final do processo, o chamado "trânsito em julgado".

Ministro estende auxílio-moradia às justiças do Trabalho e Militar

Luiz Fux, do STF, já havia concedido benefício a todos os juízes federais.
Ministro também determinou pagamento a magistrados de nove estados.


Nathalia Passarinho
Do G1, em Brasília

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (25) estender o pagamento de auxílio-moradia à Justiça do Trabalho, Justiça Militar e para magistrados dos tribunais de justiça de nove estados (Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Sul e São Paulo) – ele determinou o pagamento somente para esses estados porque os tribunais do Distrito Federal e de outras localidades já pagam o auxílio.

Fux já havia determinado, em 19 de setembro, o pagamento do benefício mensal a todos os juízes federais. Um dia após a decisão, de carátér liminar (provisória), associações que representam magistrados de outras especialidades também ingressaram com pedido para requerer o auxílio.

Ao determinar a ampliação do benefício, Fux afirmou que os tribunais militares, tribunais de justiça e tribunais do trabalho devem seguir os parâmetros fixados na decisão anterior que beneficiou juízes federais. Na ocasião, ele estabeleceu que o pagamento seja no valor atualmente garantido a ministros do Supremo, de R$ 4.377,73.

O benefício vale para todos os magistrados, inclusive aqueles que têm residência própria na cidade onde atuam. Só não recebe o valor quem tiver imóvel funcional à disposição. No caso do STF, atualmente nenhum ministro recebe o auxílio, já que todos dispõem de apartamentos funcionais.

A Associação dos Magistrados do Brasil (AMB) informou que cerca de 3,5 mil magistrados serão beneficiados com a decisão de Fux. A Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) disse não ter feito estimativa dos magistrados que têm direito ao auxílio. Informou, porém, que existem hoje no país cerca de 3 mil juízes do trabalho e 540 desembargadores.

De acordo com Fux, o mesmo direito garantido aos juízes federais e estaduais deve ser assegurado aos demais magistrados. “Onde houver o mesmo fundamento, deve ser assegurado o mesmo direito”, afirmou na decisão.

Orçamento

A concessão do auxílio-moradia vai elevar os gastos anuais do Judiciário. A decisão ocorre em meio a uma demanda do Judiciário por orçamento maior. No último dia 28 de agosto, o STF avalizou, em sessão administrativa, uma proposta de aumento dos próprios salários de R$ 29,4 mil para R$ 35,9 mil – alta de 22%.

Apesar de os poderes terem autonomia constitucional, o Palácio do Planalto reduziu a previsão de gastos de R$ 154 milhões chancelada pelo Supremo para o ano que vem e enviou ao Congresso Nacional uma peça orçamentária que prevê um reajuste salarial de 5% para ministros e servidores do Judiciário.

No dia 5 de setembro, a Procuradoria-Geral da República protocolou no Supremo mandado de segurança pedindo que o Executivo federal seja obrigado a incluir no Orçamento de 2015 a proposta de reajuste salarial aprovada pelos próprios ministros da Suprema Corte. O pedido foi distribuído à ministra Rosa Weber e ainda não houve decisão.


Petrolão para todos

Se o esquema irrigou tantos companheiros nos últimos 12 anos, imagine no pré-sal. Ninguém mais vai precisar trabalhar


Guilherme Fiuza | O Globo

Dilma sobe nas pesquisas, a bolsa despenca, e lá vêm os gigolôs da bondade denunciar a trama capitalista contra o governo do povo. Mas o que dizer então da bolsa eleitoral? Quanto mais apodrece o escândalo da Petrobras, mais Dilma se recupera nas pesquisas. Será que o eleitor está querendo virar sócio do petrolão?

Só pode ser. O espetáculo da orgia na maior empresa brasileira chegou ao auge com a delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto Costa. Em ação raríssima entre os oprimidos profissionais, o réu decidiu abrir o bico. Talvez tenha aprendido com a maldição de Valério — que demorou a soltar a língua, e de repente a quadrilha (desculpe, ministro Barroso) já estava em cana. E seu silêncio não valia mais nada. Diferentemente do operador do mensalão, o despachante do petrolão não quer mofar. E saiu entregando os comparsas.

Apontou duas outras diretorias da Petrobras como centrais da tramoia, dando os nomes dos seus titulares — indicados, que surpresa, pela cúpula do PT. Isso em plena corrida presidencial. Então a candidata petista está ferida de morte, concluiria um marciano recém-chegado à Terra. Não, senhor marciano: após o vazamento da delação, a candidata do PT subiu nas pesquisas.

Ora, não resta outra conclusão possível: o eleitor quer entrar na farra do petrolão. Está vendo quantos aliados de Dilma encheram os bolsos com o duto aberto na Petrobras, e deve estar achando que alguma hora vai sobrar um qualquer para ele. É compreensível. Se o esquema irrigou tantos companheiros nos últimos 12 anos, imagine quando a prospecção chegar ao pré-sal. Ninguém mais vai precisar trabalhar (a não ser os reacionários que não cultivarem as relações certas).

É o show da brasilidade. O operador do petrolão é colocado no cargo no segundo ano do governo Lula, indicado por um amigo do rei já lambuzado pelo mensalão. No tal cargo — a Diretoria de Abastecimento da Petrobras —, ele centraliza um esquema bilionário de corrupção, que floresce viçoso à sombra de três mandatos petistas. A exemplo do mensalão, já se sabe que o petrolão contemplava a base aliada do governo popular. E quase 40% dos brasileiros estão dizendo que votarão exatamente na candidata desse governo lambuzado de petróleo roubado.

Mas os progressistas continuam sentenciando, triunfais: o Brasil jamais será o mesmo depois das manifestações de junho de 2013. Nesse Brasil revolucionário, cheio de cidadãos incendiados de bravura cívica, a CPI da Petrobras, coitada, agoniza em praça pública. Sobrevive a cada semana, a duras penas, com mais um par de manchetes da imprensa burguesa e golpista, que insiste em sabotar o programa do PT (Petrolão para Todos). Tudo em vão. Com uma opinião pública dessas, talvez os companheiros possam até desistir do seu plano chavista de controle da imprensa: o assalto à Petrobras não faz nem cócegas no cenário eleitoral. Contando, ninguém acredita.

O marciano está tonto. Pergunta, angustiado, que fim levou o escândalo da Wikipédia. Tinham dito a ele que dois jornalistas influentes — da teimosa parcela dos que não se venderam ao governo popular — tiveram seus perfis adulterados com graves difamações, e que isso fora feito de dentro do Palácio do Planalto. Agora informam-no que o selvagem da Wikipédia, outra surpresa, é filiado ao PT. E funcionário do Ministério das Relações Institucionais de Dilma. O inocente ser de Marte pergunta, já com falta de ar, o que a presidente da República está fazendo para provar que o espião não está seguindo diretrizes da cúpula do governo.

A resposta faz o marciano desmaiar: nada. Dilma Rousseff não precisou fazer absolutamente nada para provar que o criminoso palaciano não seguiu ordens superiores. Apesar da folha corrida do PT na arte de montar dossiês e traficar informações sobre adversários, o Brasil deixou por isso mesmo. Como também tinha deixado a combinação de perguntas e respostas na CPI da Petrobras, com participação do mesmo Ministério das Relações Institucionais. Nem uma passeata, nem uma ruazinha fechada, nem um cartaz, nem uma queixa no Twitter. Os brasileiros abençoaram a guerra suja do PT para ficar no poder.

O Brasil está louco para virar Argentina. Assistiu chupando dedo à tentativa de golpe no IBGE, com a tentativa de interrupção da pesquisa de emprego. Agora o mesmo IBGE, de forma inédita, apresenta seus indicadores anuais e desmente os dados no dia seguinte. Como até o marciano sabe, a companheira Kirchner adestrou o IBGE de lá, que passou a fazer música para os ouvidos do governo. O PT segue firme nessa escola, com sua já famosa maquiagem contábil, que acaba de raspar o Fundo Soberano para ajudar a fechar a conta da farra.

O eleitor está certo: vamos reeleger Dilma. Assim chegará o dia em que não apenas a elite vermelha, mas todo brasileiro terá direito à propina própria. Chega de desigualdade.


27 setembro 2014

Polícia investiga elo entre 'delivery' de cocaína e conselheiro do TCE-PR

Lanchonete entregava drogas em casa, de acordo com as investigações.
Fábio Camargo é ex-deputado e conselheiro afastado do tribunal.


Do G1 PR, com informações da RPC TV Curitiba

A Polícia Civil vai investigar por qual razão documentos em nome do conselheiro do Tribunal de Contas do Paraná (TCE-PR) Fábio Camargo estavam na lanchonete que vendia drogas por telefone, em Curitiba. Na operação realizada na quarta-feira (24), no Waldo X Picanha Prime, na Alameda Cabral, os policiais apreenderam vários documentos, entre eles, uma conta de telefone com o mesmo endereço da lanchonete em nome do ex-deputado.

O ex-deputado estadual Fábio Camargo é afastado pela segunda vez  do cargo do conselheiro do TCE-PR (Foto: Divulgação/ TCE-PR)Documentos no nome de Fábio Camargo foram encontrados no Waldo X Picanha Prime (Foto: Divulgação/ TCE-PR)

Outros papéis ligados ao escritório de advocacia que Camargo mantinha também foram apreendidos pela Polícia Civil. Camargo fechou o escritório ao assumir o cargo de conselheiro no TCE-PR. Atualmente, ele está afastado do cargo devido a a uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com a polícia, a lanchonete funcionava como ponto de vendas de drogas. A encomenda poderia ser feita por telefone. Além de sanduíches, motoqueiros também entregavam, em casa, cocaína. A “Operação Salgueiro”, da Polícia Civil do Paraná, aponta que o Waldo X Picanha Prime e outras três lanchonetes de Curitiba ofertavam o serviço de “delivery” de drogas.

O homem que se diz dono do Waldo X Picanha Prime está preso por envolvimento com tráfico de drogas. Ele trabalhou com o, então, deputado Fábio Camargo na quarta secretaria da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Como a empresa não está no nome do homem que se diz dono, a polícia quer saber quem são os verdadeiros donos da lanchonete.

“Nossas investigações vão dizer exatamente porque está no nome de uma terceira pessoa". afirmou a delegada responsável pelo caso, Camila Cecconelo. Ela informou que, durante a investigação, foi constatado que o proprietário efetivo do local não era o homem que se diz o dono.

“Pode ser uma pessoa, sim, que estava só no nome dela a casa, mas não tinha participação efetiva ali nos negócios”, disse a delegada ao ser questionada sobre a possibilidade de ser um “laranja”.

O ex-deputado não quis gravar entrevista, mas conversou com a RPC TV. Ele disse que os documentos encontrados pela polícia são do escritório de advocacia dele e que o dono do bar era um cliente do escritório. Sobre a conta de telefone, Fábio Camargo disse que há dois anos pretendia montar um negócio no local e que, por isso, instalou o telefone. Segundo ele, o negócio não foi adiante e, desde então, pediu por telefone e por e-mail que a operadora mudasse a titularidade da linha.

Ainda conforme a delegada, por enquanto, não há nada que comprove qualquer ligação entre o ex-deputado e os negócios do Waldo X Picanha Prime. Porém, a polícia quer saber por que os documentos em nome de Fábio Camargo foram encontrados na lanchonete.

“Ao adentrar no estabelecimento, nós vimos essas contas de telefone no nome do Fábio Camargo e fizemos a apreensão desses documentos. Agora, durante esses 30 dias que temos de prazo do inquérito, provavelmente outras pessoas vão ser ouvidas para que seja esclarecido, para nós também, se há algum envolvimento dele com o estabelecimento Waldo X Picanha Prime e para ficar esclarecido qual a participação dele ali, se há alguma participação na sociedade”, afirmou a delegada Camila Cecconelo.


Operação resgata 17 trabalhadores em condições de escravidão no CE

Trabalhadores atuavam em situações consideradas degradantes, diz MPT.
Força-tarefa foi realizada de 17 de setembro até esta sexta-feira (26).


Do G1 CE

Dezessete trabalhadores em situação análoga à escravidão foram resgatados nesta semana nas cidades de Viçosa do Ceará e Granja, no Ceará. O resgate ocorreu em uma operação iniciada em 17 de setembro e concluída nesta sexta-feira (26). Os trabalhadores estavam instalados em alojamentos considerados precários, com "péssimas condições de conforto e higiene". Eles desenvolviam atividades relacionadas à extração do pó da carnaúba.

Trabalhadores se submetiam a situações degradantes, diz MPT (Foto: MPT/Divulgação)Trabalhadores se submetiam a situações degradantes, diz MPT (Foto: MPT/Divulgação)

Conforme o Ministério Público do Trabalho, em uma das fazendas, os trabalhadores ocupavam apenas o alpendre de uma casa abandonada; na outra, havia trabalhadores dormindo ao relento debaixo de árvores. Não havia disponibilização de instalações sanitárias e elétricas, e os alimentos eram armazenados de maneira inadequada.

A força-tarefa conjunta foi realizada pelo Grupo Especial de Fiscalização Móvel do Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Federal e a Polícia Rodoviária Federal.

A operação é um desdobramento de ações realizadas no final de 2013 com finalidade de regularizar o uso da mão de obra na cadeia produtiva da extração do pó da palha da carnaúba.

A operação encerrou-se nesta sexta-feira com o pagamento de verbas rescisórias devidas aos trabalhadores, o que resultou em valores superiores a R$ 30 mil. A operação garantiu também a emissão dos autos de infração pelas irregularidades constatadas.

Todos os trabalhadores resgatados receberão três parcelas de seguro desemprego especial em razão das condições a que estavam submetidos, independente do tempo em que estavam trabalhando nas propriedades.


Vereador 'A Onde é' é preso ao tentar receber salário de assessor

Vereador foi preso na agência da Caixa Econômica Federal.
No carro de 'A Onde é', a polícia encontrou R$ 6 mil em espécie.


Do G1 CE

O vereador de Fortaleza Antônio Farias de Sousa (PTC), conhecido como "A Onde É", foi preso em flagrante por volta das 13 horas desta sexta-feira (26) quanto tentava receber o salário de um assessor na agência do Banco do Brasil, localizado na Avenida Monsenhor Tabosa, no Bairro Meireles, em Fortaleza. No carro do vereador, os agentes encontraram R$ 6 mil em espécie.


Delegado chegou à delegacia acompanhado do advogado (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)Delegado chegou à delegacia acompanhado do advogado (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)

"[Com a prisão em flagrante] ficou comprovada a tese do Ministério Público de que ele contrata assessores fantasmas que não trabalham e recebem dinheiro da Câmara Municipal de Fortaleza e repassam para ele", explica o promotor de Justiça Ricardo Rocha, da Procuradoria de Justiça dos Crimes contra a Administração Publica (Procap).

O advogado Leando Vasques, que representa o vereador, contesta a versão apresentada pelo Ministério Público. Segundo ele, duas pessoas, um deles assessor do vereador "A Onde É", foram até a agência bancária para sacar uma certa quantia em dinheiro que um deles iria emprestar ao outro. "Eles haviam combinado que um emprestaria um valor ao outro para liberar uma moto que estava retida. Nada mais normal. O vereador não estava com ele, foi chamado depois já que um é assessor dele. Aí houve a abordagem [dos policiais] interpretando como se houvesse uma exigência. Na interpretação do vereador, ele não estava exigindo nenhum valor de ninguém", disse.

O vereador foi ouvido pela delegada do 2ª Distrito Policial, Socorro Portela e, em seguida, encaminhado à Perícia Forense do Ceará (Pefoce), onde fará exame de corpo de delito. Em seguida, "A Onde É" será encaminhado para a Delegacia de Capturas, no Bairro Centro, onde ficará detido. A operação que resultou na prisão do vereador foi realizada pelo Ministério Público Estadual e Polícia Civil.

O vereador foi preso pelo crime de concussão, que consiste em "exigir, para si ou para outrem, direta ou indiretamente, ainda que fora da função ou antes de assumi-la, mas em razão dela, vantagem indevida". Se condenado, "A Onde É" pode pegar de dois a oito anos de reclusão, além de pagamento de multa. Como o crime á afiançável somente na Justiça, o vereador deverá permanecer preso até que o juiz arbitre a fiança. O processo contra o vereador está tramitando na 18ª Vara Criminal de Fortaleza.

Ex-entregador de pizza compra apartamentos de luxo

Os assessores de vereadores são pagos pela Verba de Desempenho Parlamentar de R$ 40 mil mensais recebida por cada vereador, mas a nomeação desses assessores não é publicada em Diário Oficial ou no Portal da Transparência. “São atos secretos", diz o promotor Ricardo Rocha. Além dos assessores, a Câmara ainda contrata terceirizados. Segundo o Ministério Público, não existe a relação nominal dos terceirizados que prestam serviços para vereadores de Fortaleza, apenas o valor total e a empresa pela qual eles são contratados.

A Verba de Desempenho Parlamentar é um recurso dos vereadores para despesas de custeio de seus gabinetes, com o objetivo de viabilizar o exercício do mandato por meio do pagamento de transporte, publicações de interesse público, comunicações e outros serviços.

De acordo com Ricardo Rocha, em um dos depoimentos prestados pelo servidor da Câmara responsável pelo recebimento dos requerimentos dos vereadores para a utilização da VDP, não existe controle e nem prestação de contas dos recursos liberados. Segundo o servidor, para a obtenção do dinheiro, basta o vereador interessado fazer uma requisição com a justificativa de que necessita da quantia para despesas com passagens aéreas, postagens, locação de veículos que a quantia é liberada. “Sem que se exija comprovante documental da efetiva e correta utilização desse recurso”, diz o promotor.

A facilidade na obtenção de verbas motivou também a contração indevida de assessores e de funcionários terceirizados nos gabinetes, segundo o MP. Um dos exemplos apontados é o do vereador Antônio Farias de Sousa, conhecido como "A Onde É", que contratou de 20 a 30 pessoas. Documentos recolhidos no gabinete e na casa do vereador revelaram que no primeiro ano de mandato, ele comprou oito apartamentos em um edifício em um bairro nobre de Fortaleza, além de terrenos e carros de luxo. Antes de ser eleito, "A Onde É" trabalhava como entregador de pizza.

25 setembro 2014

Ministério Público e doleiro Youssef assinam acordo de delação premiada

Doleiro preso pela PF deve contar o que sabe em troca de redução da pena.
Ele é acusado de esquema de lavagem de dinheiro e de evasão de divisas.


Camila Bomfim e Mariana Oliveira
Da TV Globo, em Brasília

O doleiro Alberto Youssef assinou nesta quarta-feira (24) em Curitiba um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal em troca de redução da pena de prisão.

Youssef foi preso em março durante a Operação Lava Jato, da Polícia Federal, acusado de chefiar um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas que teria movimentado cerca de R$ 10 bilhões.

Nesta quarta, Youssef passou o dia na sede do Ministério Público Federal em Curitiba, onde firmou o acordo e já prestou o primeiro depoimento.

O acordo de delação premiada será homologado pela Justiça se, depois da fase dos depoimentos, ficar comprovada a veracidade das informações que Youssef fornecer. O acordo foi assinado um dia após a defesa revelar que o doleiro tinha essa pretensão.

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, um dos defensores de Youssef, disse na terça-feira que decidiu deixar o caso depois de ter sido informado por intermediários do doleiro de que o cliente estava decidido a fazer acordo de delação premiada. O advogado não concorda com a estratégia.

Kakay ingressou na semana passada com um pedido de habeas corpus em favor de Youssef no Superior Tribunal de Justiça (STJ). O objetivo do advogado era anular todas as provas da Operação Lava Jato, que, para ele, são ilegais. Além disso, considera "parcial" o juiz do caso, Sérgio Moro, da Justiça Federal no Paraná.

Paulo Roberto Costa

Outro dos presos na operação Lava Jato Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Refino e Abastecimento da Petrobras, também fez um acordo de delação premiada. No fim de agosto, ele começou a prestar depoimentos diários (que se encerrraram há uma semana), com base em um acordo de delação premiada, a policiais federais e procuradores da República.

Nesses depoimentos, já teria delatado senadores, deputados, governadores e um ministro, supostos beneficiários de recebimento de propina de um esquema de corrupção na empresa. Costa teria intermediado contratos da estatal com empresas de fachada de Youssef.

Ele também revelou nos depoimentos, segundo informou o Jornal Nacional, que recebeu R$ 1,5 milhão de propina de um esquema de corrupção relacionado à compra pela Petrobras da refinaria de Pasadena, nos EUA.

A primeira fase dos depoimentos de Costa a policiais federais e procuradores com base em um acordo de delação premiada terminou há duas semanas. Paulo Roberto Costa decidiu colaborar com as investigações na expectativa de obter redução da pena.

No último dia 17, convocado pela CPI da Petrobras, ele compareceu para depor no Congresso Nacional, mas se recusou a responder às perguntas dos parlamentares.

Justiça mantém impugnação da candidatura de Aparecida Panisset

Íris Marini | O Fluminense

A ex-prefeita de São Gonçalo Maria Aparecida Panisset (PDT) teve nova decisão contrária do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ao seu registro de candidatura à deputada federal nas eleições deste ano. A pedetista teve o seu pedido indeferido, desde agosto, por improbidade administrativa, a famosa Lei da Ficha Limpa, o que pode a impedir de concorrer. Segundo o TSE, a decisão mantida ontem foi monocrática, ou seja, foi apenas determinada por uma juíza, a ministra Maria Thereza de Assis Moura, e ainda pode ser revista. “Ela pode apresentar um agravo regimental plenário para ver se o Plenário do TRE – composto pelos sete ministros - confirma esta decisão ou não. Até se esgotarem os recursos, a legislação eleitoral garante que a candidata possa fazer campanha, usar o seu tempo de rádio e TV, normalmente, e seu nome deve ser incluído nas urnas”, esclareceu o TSE.

O Tribunal de Justiça do Rio condenou Panisset por improbidade administrativa e dano ao erário em 2013, após ser apontada como responsável por convênio ilegal entre a Prefeitura de São Gonçalo - que comandava até então - e o Templo Pentecostal Casa do Saber. A ação civil pública foi proposta pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) em 2008. O contrato entre o município e o Templo Casa do Saber previa repasses mensais de R$ 25 mil. Em janeiro de 2014, outra decisão manteve a sentença de primeira instância e determinou a suspensão dos direitos políticos por oito anos e multa equivalente a vinte vezes o valor de sua remuneração à época. O Tribunal de Contas do Estado constatou que foram efetuados repasses de verbas públicas, sem licitação. De acordo com o órgão, além de não haver prestação de contas, não houve a comprovação da realização dos cursos e atendimentos clínicos. Aparecida Panisset não foi localizada para comentar a decisão.



Contadora confirma as empreiteiras do petrolão

Ex-contadora revela que empreiteiras pagaram contas de Youssef após sua prisão


Diário do Poder

Em depoimento à Justiça Federal no dia 15, a ex-contadora do megadoleiro Alberto Youssef, Meire Poza, confirmou o envolvimento de pelo menos cinco grandes empreiteiras no Petrolão, todas contratadas pela Petrobras. Poza explicou ao juiz Sérgio Moro que a GFD, empresa de Youssef, emitia notas fiscais contra as empreiteiras por serviços que jamais foram prestados. A suspeita é que esse dinheiro abastecia o caixa usado para pagar propinas a políticos e autoridades do governo.

A Camargo Corrêa, que tem contrato na obra superfaturada da refinaria de Abreu e Lima (PE), devia R$ 12 milhões a Youssef, jura Meire Poza.

Meire Poza contou que até negociou para receber parte da dívida da Camargo Corrêa junto a Youssef. Mas não fechou acordo.

Segundo Poza, UTC, OAS e Constran eram representadas por só um advogado, que ajudou a pagar as contas de Youssef após sua prisão.

Poza também citou a empreiteira Mendes Júnior, que tinha contrato com o doleiro Youssef “ligado a plataformas de petróleo”. 



TCU atesta que foi de R$ 243 milhões o superfaturamento da refinaria Abreu e Lima

Diário do Poder

As obras da refinaria de Abreu e Lima (PE), da Petrobras, foram superfaturadas em R$ 243 milhões, segundo resultado de auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Até agora, foram gastos nas obras mais de R$ 24 bilhões. Nesta nesta quarta-feira (24), o TCU aprovou medida cautelar retendo parte dos pagamentos previstos de R$ 125 milhões.


refinaria abreu e limaRefinaria de Abreu e Lima (PE): aqui já foram enterrados mais de R$ 20 bilhões: superfaturamento estimado de 10%

Nos depoimentos que prestou sobre o esquema de corrupção envolvendo as obras da refinaria, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa confessou à Justiça Federal que, de fato, os valores dos contratos haviam sido superfaturados.

Exatos 52 contratos de obras, em cinco refinarias, foram submetidas a auditoria, segundo explicou o relator do processo, ministro José Jorge, e foram encontradas irregularidades em quatro contratos, todos eles referentes a Abreu e Lima. Referem-se aos pesos considerados pela Petrobras para os itens mão-de-obra, materiais e equipamentos, nos reajustes dos valores dos quatro contratos. Para os técnicos do tribunal, os pesos eram maiores do que os registrados em outros contratos da estatal e não captavam a variação real do custo de produção.

O ministro do TCU apontou ainda “fortes indícios de desequilíbrio econômico e financeiro em desfavor da Petrobras” e “indícios de pagamentos indevidos” às empresas que realizam essas obras. A estimativa é que as irregularidades tenham provocado prejuízo de R$ 243 milhões até abril deste ano. Se os envolvidos forem condenados, eles podem ter que devolver esse valor aos cofres públicos.

Youssef é o elo entre o mensalão e a Petrobras

Para Romeu Tuma Jr., delação de Youssef ligará o petrolão ao mensalão


Diário do Poder

Ex-secretário nacional de Justiça no governo Lula e policial experiente, Romeu Tuma Jr diz que o megadoleiro Alberto Youssef – que faz delação premiada, como revelou esta coluna – é o grande elo que ligará o propinoduto da Petrobras ao escândalo do mensalão. “O esquema da Petrobras é o aperfeiçoamento do mensalão, que teve como operador Youssef, que passou a atuar para o PT após o caso Banestado”.

Para Romeu Tuma Jr, a delação de Youssef também servirá para dar respaldo às denúncias do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa.

A delação de Youssef poderá preencher ainda lacunas do depoimento do ex-diretor, que apresentou provas contra 37 dos 60 políticos citados.

Líder do PPS, o deputado Rubens Bueno (PR) lastima a tardia delação premiada de Youssef: “O estrago vai ficar para depois das eleições…” 



TCU silencia sobre troca de favores entre ministro e Dilma Rousseff

Mensagens reveladas por VEJA nesta semana mostram que Walton Alencar passava informações do tribunal ao governo. Em troca, ele conseguiu nomear a mulher e o irmão para cargos de ponta no STJ e no TST


Robson Bonin | Veja

O Tribunal de Contas da União (TCU) carrega entre suas prerrogativas constitucionais a missão sagrada de zelar pelas melhores práticas de gestão na máquina estatal. É ponto pacífico, nesse caso, que quem tem o poder de fiscalizar e punir o erro alheio, tem também a obrigação de dar exemplo de correção no funcionalismo. A capacidade de ser transparente e de não se omitir ante os problemas que possam aparecer é o que faz do tribunal uma instituição forte, capaz de depurar seus procedimentos, ou uma instituição frágil, submetida a interesses fisiológicos e antirrepublicanos. Na mais recente edição de VEJA, que está nas bancas, o tribunal é confrontado com esses dois caminhos: a responsabilidade ou a omissão. Revelada a intensa troca de favores estabelecida entre o ministro Walton Alencar e a então ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e seu braço-direito na pasta, Erenice Guerra, o tribunal, por enquanto, escolheu a omissão.

Quatro dias depois de ter tomado conhecimento das mensagens nas quais Walton repassa informações privilegiadas do TCU à Casa Civil na mesma velocidade em que usa a influência de Dilma e Erenice para conseguir a nomeação de sua mulher, Isabel Gallotti, para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), o presidente do tribunal, ministro Augusto Nardes, emitiu um único pronunciamento em que afirma que “tomou ciência das notícias veiculadas no último final de semana e irá emitir pronunciamento após avaliação”. Procurado para se posicionar sobre o caso, o corregedor do tribunal, ministro Aroldo Cedraz, a quem compete investigar desvios de conduta como os ora revelados por VEJA, também silenciou.

O único que se manifestou sobre o caso, por mais irônico que isso possa parecer, foi o próprio ministro Walton Alencar. A nota enviada por ele ao comando do TCU merece ser lida mais pelo que o ministro omite do que pelo que diz. Ignorando as mensagens reproduzidas em VEJA em que ele escreve a Erenice em diferentes momentos para trocar favores e pedir ajuda para emplacar a sua mulher num cargo de ponta, Walton concentra-se sobre o mais leve dos pecados revelados na reportagem: a parte que Erenice solicita que ele aconselhe o advogado do PT Márcio Silva sobre questões eleitorais: “Na qualidade de ministro do TCU, tenho, por dever de ofício, de manter contato com autoridades de todos os Poderes e escalões. Nesse sentido, a solicitação da então ministra Chefe da Casa Civil de receber certo advogado nada significa, pois todos sabem que todos os advogados que solicitam audiência no meu gabinete são por mim recebidos indiscriminadamente”. Receber um advogado é uma coisa. Dar conselhos eleitorais a ele, outra bem diferente. A resposta seletiva do ministro joga ainda mais responsabilidade sobre o comando do TCU, a quem cabe adotar as devidas providências sobre o caso.


Flagrante de fisiologismo: como um ministro do TCU se pôs a serviço de Dilma para emplacar a mulher em um cargo

Mensagens da Casa Civil da Presidência da República revelam como funciona a troca de favores entre autoridades e seus padrinhos políticos. Ministro do TCU conseguiu indicar a esposa para o Superior Tribunal de Justiça e o irmão para o Tribunal Superior do Trabalho com a ajuda de Dilma Rousseff. Antes disso...


Robson Bonin e Hugo Marques | Veja

No organograma dos poderes, o Tribunal de Contas da União (TCU) exerce o papel de guardião dos cofres públicos. Do superintendente de uma repartição federal na Amazônia ao presidente da República, ninguém está livre de prestar contas ao órgão. É do TCU a missão de identificar e punir quem rouba e desperdiça dinheiro público, seja um servidor de terceiro escalão, um ministro de Estado ou uma dezena de diretores da Petrobras. Enfrentar interesses poderosos é da natureza do trabalho do tribunal. Por isso, seus ministros gozam de prerrogativas constitucionais, como a vitaliciedade no cargo, destinadas a lhes garantir autonomia no exercício da função. No mundo ideal, o TCU é plenamente independente. Na prática, troca favores com o governo, sujeita-se às ordens do Palácio do Planalto e, assim, contribui para alimentar a roda do fisiologismo, mal que a corte, em teoria, deveria combater. VEJA teve acesso a um conjunto de mensagens que mostram que há ministros dispostos a servir aos poderosos de turno a fim de receber generosas contrapartidas, como a nomeação de parentes para cargos de ponta.

Trocadas durante o segundo mandato do presidente Lula, as mensagens revelam o ministro Walton Alencar, inclusive quando comandava o TCU, no pleno gozo de uma vida dupla. Nos julgamentos em plenário e nas manifestações públicas, Walton era o magistrado discreto, de perfil técnico, que atuava com rigor e independência. Em privado, era o informante, os olhos e os ouvidos no TCU de Dilma Rousseff, à época chefe da Casa Civil, e de Erenice Guerra, então braço-direito da ministra. Walton pôs o cargo e a presidência do tribunal a serviço da dupla. E o fez não por mera simpatia ou simples voluntarismo. Em troca, ele recebeu ajuda para emplacar a própria mulher, Isabel Gallotti, no cargo de ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A trama toda ficou registrada em dezenas de mensagens entre Walton e Erenice, apreendidas em uma investigação da Polícia Federal. Com a colaboração das mulheres mais poderosas do Palácio do Planalto no segundo mandato de Lula, Walton conseguiu mobilizar um espantoso generalato de autoridades para defender a indicação da esposa.

Em e-mail enviado em 12 de março de 2008, Erenice relata os movimentos dela e de Dilma em favor de Isabel: “Oi, Walton. Conversei com o Sigmaringa Seixas, que se prontificou a nos apoiar. O Romero Jucá (então líder do governo no Senado) prontamente se comprometeu a nos apoiar. O presidente (da Câmara) Arlindo Chinaglia também nos apoia. Dilma e eu conversamos com o ministro Toffoli (do Supremo), que também nos apoia. Dilma conversou com o ministro (da Justiça) Tarso Genro, que também nos apoia. Esse é o estado da arte até o momento. Se você lembrar de alguém com que devamos falar, me avise. Continuamos em campanha”. Com tantos apoiadores influentes, o lobby de Walton parecia fadado ao sucesso. Mas havia dois obstáculos importantes. Um deles era a determinação de Lula de indicar um negro para o STJ, como fizera antes no caso do Supremo Tribunal Federal (STF). O nome preferido era Benedito Gonçalves. O outro obstáculo era o fato de Gonçalves ter mais prestígio no mundo jurídico do que Isabel. Numa mensagem em 15 de julho de 2008, Walton se queixa a Erenice: “O presidente Lula disse que haveria problemas (a Isabel é a terceira da lista, o Benedito já entrou em lista, a Isabel é jovem) e que iria me chamar para conversar. (...) O fato de o Benedito já ter entrado em lista não significa nada. Somente que ele trabalha desde muito tempo, o que não significa que ele é o candidato mais capacitado para servir ao país”.

Walton chega a pedir orientações a Erenice para continuar o lobby em favor da mulher. “Estou fazendo algo errado? Devo entrar no cone de sombra? Devo procurar mais apoios? Quem? Ministros do STF, por exemplo?”, pergunta o então presidente do TCU. Apesar de todo o esforço de Dilma e Erenice, Isabel perdeu a vaga naquele ano para Benedito. Walton fez questão de registrar gratidão às autoridades poderosas: “Não tenho palavras para a ministra Dilma! Ela aguentou tudo sozinha (...) O senador Sarney vai falar em favor da Bel com o presidente da República. Eu sei bem a quem devo por estar no jogo. Mas um pouco mais de respaldo não faz mal”. O tempo é o senhor da razão e também dos lobbies bem-sucedidos. Em agosto de 2010, quando Erenice já era chefe da Casa Civil e Dilma candidata a presidente, Lula nomeou “Bel” ministra do STJ. Walton sabia bem a quem devia, como fez questão de ressaltar na mensagem, e tratou de pagar a conta religiosamente antes e depois de receber a mercadoria. No caminho para concretizar as ambições de sua mulher, ele realizou diferentes serviços para o governo. Foi assim em 2008, no auge da crise do dossiê dos gastos secretos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, escândalo que atingiu em cheio a Casa Civil, acusada de vazar os dados sigilosos.

Como presidente do TCU, Walton recebia consulta de jornalistas sobre o trabalho do órgão no caso e repassava as informações da imprensa ao Planalto em tempo real. Em 26 de março de 2008, ele escreveu a Erenice: “Estou acompanhando o imbróglio da Folha de S.Paulo em relação aos cartões corporativos. Há vários dias tentam falar comigo ou com o relator. Não conseguiram uma palavra! Não sei de onde vêm as informações que fazem (sic). Vi na internet hoje que aFolha diz isto: ‘O TCU não se manifestou oficialmente ontem, mas insiste em que não...’. Não sei de onde vem essa afirmativa que o TCU insiste em... O presidente não falou, o relator não falou... como o TCU insiste?”. A divulgação do dossiê deu origem a uma CPI dos Cartões Corporativos. Dilma e Erenice eram alvos da investigação. Na presidência do TCU, Walton fez o que pôde para blindar a dupla e atrapalhar a apuração realizada pelos parlamentares. No auge da crise, ele foi ao Senado para se reunir com a presidente da CPI, Marisa Serrano, e com o então presidente da Casa, Garibaldi Alves. As mensagens de 1º de abril de 2008 revelam que o presidente do TCU manteve Erenice informada inclusive dos pleitos apresentados pelos dois senadores no encontro: “Ela (Marisa) quer os documentos e processos do TCU. Informei, por terceiros, que só os remeteria se aprovado o requerimento na comissão. Ela parece furiosa conosco (TCU)”. “Lembro que ele foi extremamente rigoroso na reunião. Mas, se tinha alguma outra intenção com isso, não deixou transparecer”, recorda a ex-senadora.

Uma mensagem de 16 de junho de 2008 mostra que Walton também abria sua agenda de presidente para receber advogados indicados por Erenice. Um deles prestara serviço antes ao PT. Como se sabe, ter acesso fácil a gabinetes rende prestígio e possibilidades de negócio. “O dr. Márcio Silva é advogado eleitoral e sempre advogou junto com o ministro Toffoli as questões do senhor PR (presidente da República). Ele gostaria de conversar com você acerca de decisões do TCU e implicações na lei eleitoral”, escreveu Erenice. A parceria seguia intensa. Entre 2008 e 2010, Walton foi acionado várias vezes para socorrer o ex-diretor da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) Bernardo Figueiredo em processos que tramitavam no tribunal. Figueiredo é um técnico muito próximo a Dilma Rousseff. Nos bastidores de Brasília, era tratado como “superministro” da infraestrutura. Walton agiu para impedir que ele fosse condenado por supostas irregularidades na ANTT. Além de alertar Erenice sobre a tramitação do processo, o informante chegou a antecipar como votaria no caso: “Oi, Erenice. O processo da ANTT (contra Bernardo Figueiredo) vai entrar mesmo na quarta-feira. Vou suscitar a preliminar de litispendência (...)”. Em setembro de 2010, Erenice Guerra foi demitida da Casa Civil, mas a troca de gentilezas continuou a pleno vapor.

Em junho do ano passado, Erenice, agora como uma lobista de sucesso, esteve no tribunal para conversar com Walton sobre interesses bilionários ligados à boa e velha ANTT. Devoto da cartilha governista, no início do ano Walton chegou a pressionar o ministro José Jorge para que não pedisse vista do processo de liberação do edital de concessão da Ferrovia de Integração Centro-Oeste, que liga Lucas do Rio Verde (MT) a Campinorte (GO). A concessão, a primeira de ferrovias elaborada pelo governo, é uma vitrine eleitoral para Dilma Rousseff. Graças a Walton, que é o relator da matéria, o TCU aprovou a liberação, quando alguns ministros não estavam mais na corte. Em janeiro passado, ao julgar um recurso, Walton irritou-se quando o colega José Jorge pediu vista do processo sobre a ferrovia, finalmente aprovado em 12 de fevereiro. No dia seguinte, a presidente Dilma anunciou o nome de um novo ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST): Douglas Alencar, irmão de Walton Alencar. Uma coincidência, naturalmente. Como foi mera coincidência o fato de o ministro do TCU José Múcio ter conversado com Lula dois dias antes de o plenário julgar o polêmico caso da compra da refinaria de Pasadena, com potencial danoso para a campanha à reeleição de Dilma. A política é cheia de coincidências — principalmente quando estão em jogo interesses públicos e privados.

23 setembro 2014

PM preso diz que Estado-Maior cobrava R$ 15 mil de batalhões

Comandante geral da corporação classifica declarações como 'absurdas'.
Um dos 24 PMs presos fez acordo de delação premiada e foi solto.


Do G1 Rio

O RJTV teve acesso com exclusividade ao depoimento de um policial militar denunciado na operação Propina S.A., que prendeu uma quadrilha de PMs acusados de cobrar propina de moradores e comerciantes na Zona Oeste do Rio. O policial afirma que ouviu de oficiais presos na operação que todos os batalhões da polícia eram obrigados a pagar uma quantia de R$ 15 mil ao Estado-Maior da PM.

O PM fez um acordo de delação premiada com a Justiça e depois do depoimento foi solto. A assessoria da Polícia Militar informou que o comandante geral da coorporação, coronel Luís Castro Menezes, ficou indignado ao tomar conhecimento do depoimento e classificou as declarações como absurdas. Ainda segundo a assessoria, todas as denúncias serão investigadas com rigor.

Segundo o depoimento prestado ao Ministério Público, a informação sobre o repasse do dinheiro para o Estado-Maior foi dita ao policial pelo major Edson e pelo major Neto, de maneira reservada, em mais de uma ocasião.

Por meio de nota, a PM esclareceu que tal depoimento se refere ao período em que o coronel Alexandre Fontenelle comandou o 41ºBPM e que "não se refere à atual gestão do comando-geral da corporação".

A operação

Coordenada pela Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Segurança (Seseg), com apoio do Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco), a operação prendeu no dia 15 de setembro 25 pessoas, sendo 24 policiais militares denunciados por integrar um esquema de arrecadação de propina de comerciantes e transporte irregular na região de atuação do 14º BPM (Bangu).

Entre os presos estavam cinco oficiais, incluindo o chefe do Comando de Operações Especiais (COE), coronel Alexandre Fontenelle Ribeiro de Oliveira, e o subcomandante do COE, major Edson Alexandre Pinto de Góes. Ambos foram exonerados dos cargos.

Ministro do Supremo autoriza Delúbio Soares a cumprir pena em casa

Ex-tesoureiro do PT está há menos de um ano preso por mensalão.
Ele teve dias da pena descontados porque trabalhou no regime semiaberto.


Nathalia Passarinho
Do G1, em Brasília

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta segunda-feira (22) o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares a cumprir o restante de sua pena de prisão em casa. O pedido de progressão do regime semiaberto para o aberto foi feito pela defesa sob o argumento de que ele tem bom comportamento e já cumpriu um sexto da pena. Ainda não ha previsão de data para Delúbio deixar o centro de detenção. 

Condenado a 6 anos e 8 meses de prisão no julgamento do mensalão, Delúbio está há menos de um ano na cadeia, mas como trabalhou enquanto cumpria a pena no regime semiaberto, Barroso considerou que o ex-tesoureiro já reuniu os requisitos previstos na legislação para a prisão domiciliar. A cada três dias trabalhados, o detento tem direito de descontar um dia da pena.

Enquanto esteve no semiaberto, Delúbio trabalhou no assessoramento aos sindicalizados na Central Única dos Trabalhadores (CUT). O salário é de cerca de R$ 5 mil para trabalhar das 8h às 18h, conforme sua defesa.

Na última quarta (17), Barroso autorizou que o ex-deputado federal Bispo Rodrigues (do extinto PL, atual PR) deixe o regime semiaberto para cumprir o restante de sua pena de prisão em regime domiciliar. Condenado a 6 anos e 3 meses de prisão no julgamento do mensalão, Bispo Rodrigues também ficou menos de um ano na cadeia, já que foi preso no dia 5 de dezembro do ano passado. Assim como Delúbio, ele teve dias de pena descontados porque trabalhou.

Outros dois presos por condenações no processo do mensalão já obtiveram o direito de cumprir a pena em casa - o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro do extinto PL Jacinto Lamas. Mais três, todos do chamado "núcleo político" do esquema, também poderão em breve passar a cumprir pena em casa.

De acordo com a Vara de Execuções Penais do DF, o ex-ministro José Dirceu poderá deixar a cadeia para cumprir a pena em casa entre outubro e novembro deste ano. O ex-deputado Valdemar Costa Neto terá o mesmo direito em 31 de dezembro, e o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha terminará de cumprir um sexto da pena em fevereiro de 2015.


21 setembro 2014

Ex-diretores da Petrobras são acusados por Paulo Roberto Costa em depoimento

Uma das pastas era comandada no período por indicado pelo PT próximo a João Vaccari Neto, diz revista


O Globo

SÃO PAULO - Preso na Operação Lava Jato e alvo de dois processos judiciais por evasão de divisas e lavagem de dinheiro, o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa afirmou que havia irregularidades em mais duas diretorias da Petrobras, segundo reportagem publicada neste sábado pelo jornal Folha de S.Paulo. Segundo ele, houve delitos nas diretorias de Serviços e na diretoria Internacional entre 2004 e 2012. Costa foi indicado para a diretoria de Abastecimento na cota do PP, apadrinhado pelo deputado federal José Janene, que faleceu em 2010.

A diretoria de Serviços era comandada no período por Renato Duque, indicado pelo PT e próximo ao tesoureiro do partido, João Vaccari Neto. De acordo com a revista Veja, que também publicou reportagem sobre o tema, Duque foi indicado pelo ex-ministro José Dirceu e, nas diretorias indicadas pelos petistas, o dinheiro da propina era arrecadado por Vaccari. A área internacional era comandada por Nestor Cerveró, que tinha apoio do PT e do PMDB.

As duas diretorias estão envolvidas com negócios investigados pela Polícia Federal. A diretoria internacional comandou a compra da refinaria de Pasadena, no Texas, na qual Paulo Roberto Costa disse ter recebido propina de R$ 1,5 milhão para facilitar o negócio. A diretoria de Serviços é investigada pelas obras da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

A Folha de S.Paulo informa que Duque negou a interlocutores próximos “intimidade” com os negócios de Costa. Ele não foi localizado pelo jornal para comentar a acusação de Costa. O advogado Edson Ribeiro, que representa Cerveró, disse que Costa não tem "o condão de contaminar a conduta das demais pessoas" e que precisa apresentar provas do que fala. Ribeiro disse ainda que seu cliente só se manifestará quando for oficialmente notificado. A Petrobras não se manifestou.

A reportagem da Folha de S.Paulo afirma que não está claro se Costa incluiu as informações na delação premiada, onde é necessário que ele apresente evidências, provas ou informações concretas que ajudem a comprovar o que diz ao Ministério Público Federal.

Para obter as vantagens da delação premiada, com redução de pena e liberdade antecipada, Costa deverá se manter à disposição da Justiça durante o tempo necessário para que as investigações sejam concretizadas, ajudando sempre que for necessário na busca de provas. Ou seja, é uma acordo de longo prazo.

Costa afirmou aos procuradores que havia um mensalão da Petrobras, no qual os partidos indicavam diretores e recebiam deles contribuições na forma de propina arrecadada com negócios fechados pela estatal. O ex-diretor citou, além do PP, o PT e o PMDB.

Advogado confirma ligação de Youssef e sete deputados federais

Sócio do doleiro, Carlos Alberto Pereira da Costa afirmou que Argôlo ‘tinha periodicidade mensal’ em empresa


O Globo

RIO — O advogado Carlos Alberto Pereira da Costa, um dos investigados na Operação Lava-Jato, falou ao “Jornal Nacional” deste sábado sobre a ligação de políticos com o doleiro Alberto Youssef, seu sócio, preso em Curitiba. Carlos Alberto disse que sete deputados federais, ligados à bancada do governo frequentavam o escritório do doleiro Youssef e da GFD.

O único nome citado foi o de Luiz Argôlo (SD-BA). Carlos Alberto disse que não mencionaria os demais nomes por questão de sigilo.

- Ele tinha periodicidade mensal na GFD - disse ao se referir a Argôlo.

Preso desde março, Carlos Alberto foi solto na segunda-feira. Ele é acusado de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Ele disse que foi chamado pelo doleiro para abrir a empresa GFD investimentos, investigada pela PF por receber dinheiro de origem duvidosa de construtoras que tinham contrato pela Petrobrás.

Ele disse que foi apresentado ao doleiro pelo ex-deputado federal do Paraná José Janene, que foi líder do PP e morreu em 2010. Janene foi um dos reús do mensalão.

Segundo o advogado, Youssef era responsável pelo caixa 2 do Janene e que "após a morte, ele continuou a cuidar do caixa 2 do partido".

O advogado declarou ainda que o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa teve vários encontros com o doleiro.

- Eles se reuniam. Eu vi, duas, quatro vezes. Só via passando, sabia que era o ex-diretor da Petrobras, mas não sabia qual o objetivo dessas reuniões - disse à TV.

Carlos Alberto foi solto por ter colaborado espontaneamente com as investigações. Ele não fez acordo de delação premiada.


Ladrões roubam avião de candidata ao governo do Mato Grosso

Janete Riva, do PSD, diz que é dona do avião, mas não declarou ao TSE. Piloto e copiloto foram sequestrados e estão desaparecidos



Anselmo Carvalho Pinto, especial para O Globo

CUIABÁ - Ladrões roubaram na tarde deste sábado o avião usado pela candidata ao governo de Mato Grosso, Janete Riva (PSD). O piloto e o copiloto foram seqüestrados e estão desaparecidos. O crime aconteceu em Pontes e Lacerda, município a 457 quilômetros de Cuiabá, onde a candidata cumpria agenda de campanha em companhia do marido, o deputado estadual José Riva, e do candidato ao Senado Rui Prado, ambos também do PSD.

As polícias Civil e Federal foram acionadas. Acredita-se que a aeronave, um King Air, tenha sido roubada por traficantes, já que Pontes e Lacerda fica na região da fronteira entre Brasil e Bolívia. Ali não são raros roubos de aviões para o uso no tráfico.

Em nota encaminhada à imprensa, a candidata afirmou que é dona do avião, modelo C90GTi, fabricado em 2006. No entanto, sua declaração de bens enviada à Justiça Eleitoral não relaciona este modelo, mas apenas um Piper Aircraft fabricado em 1982.

O roubo aconteceu minutos antes de os três embarcarem para o município de Vila Bela da Santíssima Trindade. Por causa do roubo, os candidatos interromperam a campanha neste fim de semana e retornaram a Cuiabá.

- Já procuramos a segurança pública para iniciar as investigações o quanto antes. Estamos muito preocupados com a segurança de nosso piloto e copiloto – disse José Riva.

Janete Riva iniciou sua campanha há pouco mais de uma semana, ao substituir o marido na chapa. Considerado o maior ficha-suja do Brasil, Riva teve a candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral. Janete aparece em terceiro lugar nas pesquisas, atrás de Pedro Taques (PDT) e Lúdio Cabral (PT).



Youssef enviou R$ 1 bilhão para o exterior

Repasses de recursos foram feitos por meio de 3 mil operações cambiais fictícias com instituições financeiras de 24 países


José Casado | O Globo

RIO — A primavera de 2010 começou promissora para os negócios no segundo andar do 778 da rua Renato Paes de Barros, bairro do Itaim, zona sul de São Paulo. Depois do almoço de terça-feira 21 de setembro, a caixa postal de paulogoia58@hotmail.com recebeu mensagem confirmando quatro remessas para contas no exterior. Somavam US$ 2,7 milhões. O e-mail era assinado por Ann Smith, que anunciava em tom cordial: "Amanhã vou te visitar, abs".

Nada mal para um ex-presidiário. Aos 43 anos, Alberto Youssef estava cada dia mais distante da vida pobre em Londrina (PR). Filho de imigrante libanês e brasileira, construiu com habilidade no mercado de câmbio paralelo um acesso ao lucrativo submundo de negócios de empresários e políticos. No final dos anos 90 fora flagrado em traficâncias de recursos do banco estatal do Paraná (Banestado) para campanhas eleitorais. Amargou meses na cadeia, fez um acordo de delação premiada e saiu da prisão em 2003.

Fora das grades se associou ao deputado federal José Mohamed Janene, de Londrina, líder da bancada do PP na Câmara. Janene personificava promessa de lucros com imunidade — administrava o caixa 2 do partido, na época recheado por US$ 2 milhões repassados pelo operador do mensalão, Marcos Valério.

Além disso, integrava o condomínio de líderes partidários que partilhava o controle das áreas-chave das empresas estatais no governo Lula. Seu patrocínio, por exemplo, foi decisivo para Lula promover o então gerente Paulo Roberto Costa à diretoria de Abastecimento da Petrobras, com poder de influenciar contratos da estatal no aluguel de navios e plataformas marítimas, na manutenção de gasodutos e na construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A refinaria deve ser inaugurada em novembro, ao custo de US$ 20,1 bilhões, nove vezes mais que o previsto.

Janene, cardiopata, morreu indiciado no processo do mensalão, antes da sentença. Quando foi enterrado no Cemitério Islâmico de Londrina, na terça-feira 14 de setembro de 2010, seus negócios com Costa e Youssef já estavam fracionados entre caciques do PP, do PT e do PMDB.

Todos enriqueciam rapidamente. Youssef até planejou a compra simultânea de um avião e de uma mansão em São Paulo. Numa de suas caixas postais (paulogoia58@hotmail.com) encontraram-se evidências de negociações para a aquisição de um Lear Jet, por U$ 6,9 milhões, e de uma cobertura de 405 metros quadrados em Vila Nova Conceição, valorizado bairro paulistano.

A dimensão de seus negócios surpreendeu peritos e promotores federais. Ele fez transferências ilegais de US$ 444,6 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) do Brasil para contas em instituições financeiras de 24 países (China, Hong Kong, EUA, Coreia, Malásia, Nova Zelândia, Formosa/Taiwan, Reino Unido, Costa Rica, Cingapura, Bélgica, Holanda, Índia, Uruguai, Itália, Ucrânia, Liechtenstein, Costa Rica, Suíça, Espanha, Alemanha, Panamá, Paraguai e Canadá). Para comparação, esse valor é equivalente ao custo do novo Maracanã.

O dinheiro saiu do país sob o disfarce de contratos de comércio exterior. Foram 3.649 operações fictícias, realizadas por seis das suas empresas de fachada — três de informática e três de química. E, segundo a Justiça Federal, isso foi apenas parte do movimento de propinas pagas no circuito de fornecedores de bens e serviços da Petrobras.

Durou cerca de 50 meses, de 2008 até março passado quando Youssef, Paulo Roberto Costa e mais duas dezenas de colaboradores foram presos.

CONTRATOS FORJADOS

A engrenagem funcionava assim: ao receber um pedido para transferência para uma conta específica em Toronto, no Canadá, Youssef forjava um contrato de importação ("Câmbio Simplificado") entre duas das suas empresas — uma no Brasil (Labogen Labogen S.A. Química Fina e Biotecnologia) e outra registrada em Hong Kong (RFY Ltd). O cliente pagava em reais. Os dólares saíam da Labogen e chegavam à RFY, em Hong Kong. Na sequência, faziam escala em outras empresas, em outros países, até aportar na conta do beneficiário, indicada pelo pagador no Brasil.

As bases do negócio eram discrição e confiança. Sabia-se, por exemplo, que a Indústria Labogen S.A. estava inativa há mais de duas décadas. Desde 2010 seu endereço no interior paulista (Rua Frederico Magnusson, 247, Distrito Industrial, Indaiatuba-SP) passou a abrigar duas Labogen — uma de Química Fina e Biotecnologia e outra de Comércio de Medicamentos. E ambas contavam com uma única funcionária, a faxineira.

Juntas, essas empresas transferiram US$ 113,3 milhões, por meio de 1.945 operações baseadas em contratos fraudulentos. O comerciante paulista Pedro Argese Júnior, de 53 anos, assinava como presidente das Labogen, mediante 0,5% de comissão sobre as remessas. Em juízo, confirmou as fraudes.

No final do ano passado, o governo federal deu às Labogen um contrato de US$ 60 milhões. Forneceriam citrato de sildenafila, usado em tratamentos de impotência sexual e hipertensão arterial pulmonar. A negociação teria sido mediada pelo deputado André Vargas (PT-PR), amigo de Youssef. Ele nega. A cerimônia de assinatura do convênio foi solene, com a participação do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, candidato ao governo de São Paulo pelo PT. Três meses depois, Youssef foi preso e o compromisso anulado.

Enquanto esteve solto, ele administrou mais de cinco dezenas de empresas de fachada a partir de uma sala nos fundos do seu escritório no bairro do Itaim, em São Paulo. Com entrada independente, era frequentada semanalmente por parlamentares federais — testemunharam no tribunal sua contadora e seu advogado. Ali ficava a GFD Investimentos, nave-mãe do conglomerado de papel.

EMPRESA ENERGIA EÓLICA

Raros foram os negócios reais de Youssef. E esses poucos também acabaram transformados em papel. Foi o caso das empresas de energia eólica. Nasceram em 2008 por iniciativa do ex-deputado José Janene, que decidiu criar a CTSul sob controle de duas empresas de prateleira, CSA Project e Focus Participações.

No mesmo ano surgiu a Energio, em Fortaleza, controlada pela Focus e capitaneada por Rubens de Andrade Filho, colaborador de Janene e Youssef. No final de 2009, a Energio tinha oito subsidiárias e um único ativo: um contrato de venda de energia (481.800 Megawatts/hora) para a estatal mineira Cemig.

Quando completou dois anos de existência, a Energio acumulava três dezenas de subsidiárias e coligadas, além de um prejuízo operacional de US$ 2 milhões — em parte decorrente de um empréstimo de US$ 30 milhões. Em janeiro de 2012 todas as eólicas já estavam vendidas para um dos principais clientes de Youssef, a empreiteira Queiroz Galvão.

20 setembro 2014

TRE-RJ condena ex-prefeito de São Francisco do Itabapoana a ficar inelegível até 2020

Frederico Souza Barbosa de Lemos ainda pode recorrer.

Motivo é abuso de poder político e econômico.


Do G1 Norte Fluminense

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio condenou o ex-prefeito de São Francisco do Itabapoana, no Norte Fluminense, Frederico Souza Barbosa de Lemos, a ficar inelegível até 2020 por abuso de poder político e econômico. A decisão foi tomada na sessão plenária desta segunda-feira (15), mas ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília.

Segundo o TRE, na campanha à reeleição em 2012, ele usou verba pública para fazer propaganda, aproveitando-se da organização de rodeios de um hotel fazenda de propriedade de sua família, onde distribuiu santinhos e outros materiais publicitários usando carros oficiais.

A reportagem do G1 tentou contato telefônico com Frederico Lemos, mas até a conclusão desta reportagem, nenhuma ligação havia sido atendida.


Vereador responde a processo sobre piada com avião de Eduardo Campos

Câmara de Limeira apura se vereador brincou com morte de presidenciável.
Tigrão (PMDB) nega, mas será convocado a falar sobre postagem de foto.


Do G1 Piracicaba e Região

A Corregedoria da Câmara de Limeira (SP) avalia se houve quebra de decoro do vereador André Henrique da Silva, o Tigrão (PMDB). Ele responde a processo administrativo na Casa porque no dia 13 de agosto, data do acidente aéreo que matou o candidato à Presidência Eduardo Campos (PSB), foi publicada no perfil do parlamentar no Instagram uma foto de Dilma Rousseff (PT) com a frase "Mandei derrubar mesmo e se reclamar derrubo o do Aécio [Neves]".


Tigre é uma das peças que vão compor o estilo Tigro, a lá Clodovil, em seu gabinete  (Foto: Divulgação)Vereador Tigrão em seu gabinete na Câmara de Limeira (Foto: Divulgação)

Até o final do mês, o vereador deve ser convocado a falar sobre o assunto na Câmara, mas a data ainda não foi definida. Na última terça-feira (16), o Legislativo recebeu uma carta de defesa de Tigrão, que nega ter divulgado a imagem na rede social e afirma que teve o celular extraviado no dia da publicação. O processo contra o parlamentar foi aberto em 4 de setembro, com publicação em jornal oficial. A investigação foi iniciada neste mês porque, segundo a Corregedoria, versões diferentes sobre o caso começaram a ser divulgadas.

Na carta, recebida pelo vereador corregedor José Eduardo Monteiro Júnior, o Ju Negão (PSB), Tigrão afirmou não ser o autor da postagem e dos comentários. Ele escreveu que participou de compromissos na data do acidente de Campos, entre eles a realização de ouvidoria com moradores do Condomínio Recanto dos Pássaros.

Ainda no documento enviado à Corregedoria, o vereador afirmou que somente no período da noite de 13 de agosto, voltou ao residencial para buscar o carro e percebeu o extravio do aparelho telefônico. “Encontrei o meu celular em uma mureta, sendo que não curti ou comentei a foto postada.” Ele alegou ainda que, no dia seguinte, tentou excluir a imagem da rede social. “Pedi ajuda para apagar a postagem, até porque o meu celular não possui senha de desbloqueio para entrar em qualquer aplicativo no aparelho.”

Versões diferentes

A carta de defesa do vereador Tigrão é analisada pela Corregedoria da Câmara. A assessoria de imprensa de Ju Negão informou, em nota, que devido a diferentes versões dadas antes do envio da carta, o corregedor vai ouvir o depoimento de Tigrão até o final de setembro. A primeira versão dada por Tigrão, conforme Ju Negão, foi a de que ele teria publicado a foto sem querer, a segunda era que outras pessoas teriam feito a postagem com o celular do vereador. Dez dias depois do ocorrido, Tigrão registrou boletim de ocorrência sobre o extravio do aparelho.

Relatório e depoimento

"Estamos terminando a análise da carta de defesa. O próximo passo da investigação é ouvir o Tigrão", disse o vereador corregedor. A comissão que apura o caso tem até dezembro para elaborar um relatório final sobre a investigação. Tigrão informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não vai se manifestar até ser convocado para depor na Câmara.

Brasil ganha 11 novos bilionários em um ano

São 61 bilionários que possuem a fortuna total de US$ 182 bilhões.
Em ranking mundial, país ocupa 9º lugar; na América Latina, 1ª posição.


Do G1, em São Paulo

O Brasil ocupa o 9º lugar entre os 40 países com maior número de bilionários no mundo. São 61 bilionários que possuem a fortuna total de US$ 182 bilhões em 2014. O estudo foi divulgado pelo banco suíço UBS. Em um ano, o país ganhou 11 novos bilionários — em 2013, eram 50 bilionários com a fortuna de US$ 259 bilhões.

Com um crescimento de 22% em um ano, o Brasil soma mais bilionários que economias tradicionais como da França, Canadá, Itália e Japão.

Na América Latina, o Brasil ocupa o 1º lugar, seguido de México, Chile, Peru, Bermuda, Argentina, Venezuela, Colômbia, Ilhas Britânicas, Guatemala e El Salvador.

No mundo há 2.325 bilionários com a fortuna total de R$ 7,3 trilhões. Na América Latina são 153 bilionários com a fortuna de US$ 511 bilhões.

São Paulo

São Paulo ocupa a 6ª posição no ranking das cidades com maior concentração de bilionários em nível mundial e o 1º lugar entre as cidades da América Latina.

São 36 bilionários com a fortuna total de US$ 91 bilhões. De acordo com o estudo, 83% deles nasceram no Brasil, 61% têm nível superior de escolaridade, 25% são mulheres, 64% são casados, 89% são envolvidos com filantropia e 19% têm interesse por arte.

Ainda na cidade de São Paulo, a idade média dos bilionários é de 65 anos e 28% deles são das áreas de finanças, banco e investimentos.

Em nível mundial, as cidades com mais bilionários são Nova York, Moscou, Hong Kong, Londres, Beijing, São Paulo, Istambul, Dubai, Paris e Singapura.

Em relação à América Latina, São Paulo é seguida por México, Santiago, Rio de Janeiro, Lima, Buenos Aires, Hamilton (Bermuda), Caracas, Bogotá e Jaraguá do Sul.